Verbetes:

bifobia

Dantielli Assumpção Garcia


 

Homofobia – Lesbofobia – Transfobia – Sexualidade – Gênero – Fobia

 

Manifestação de repulsa aos sujeitos que se definem como bissexuais. Na Wikipédia, o termo é definido como “o medo de, aversão à ou discriminação contra bissexualidade ou pessoa LGBT que é bissexual ou percebe ser bissexual”.

Historicamente, a palavra “bissexual” tem tido três usos (Lewis, 2012). O primeiro, entre os séculos XVII e início do XX, referia-se a pessoas cujos corpos tinham uma combinação de atributos biológicos ou anatômicos considerados femininos e masculinos (hermafroditas). “Este uso era particularmente comum nos campos da medicina, do direito e da teologia, cujos discursos se entrelaçavam para construir a pessoa fisicamente bissexual como um terceiro sexo sujeitado a uma série de restrições jurídicas que diferiam dos direitos das pessoas dos outros ‘dois sexos’” (Lewis, 2012, p. 26). O uso nesse período relaciona-se à anatomia do corpo, a um discurso biológico que busca apresentar as partes físicas que compõem um indivíduo. É em virtude desse corpo (do homem, da mulher, do/da hermafrodita) que o sujeito terá ou não direitos. O corpo legitima juridicamente o sujeito, é por esse corpo que o reconhece como sujeito de direito.

O termo “bissexual” também foi usado no campo da Psicanálise, no final do século XIX e no século XX, para referir-se às pessoas com uma suposta combinação de masculinidade e feminilidade psicológica, em vez de anatômica. Tem-se aí a “bissexualidade psicológica”. Nessa acepção, não mais o corpo como centro, mas o inconsciente, a psique o indivíduo. A bissexualidade, portanto, não está no corpo, mas no funcionamento psicológico do indivíduo.

Um outro uso do termo alude a “um desejo sexual que ‘combina’ ou ‘une’ a heterossexualidade e a homossexualidade”, o que se definiria como a “bissexualidade do desejo”. Lewis (2012, p. 27) aponta que a mudança na visão da bissexualidade como combinação de heterossexualidade e homossexualidade aconteceu durante os anos 1970, sobretudo em virtude do ativismo para a “liberação gay” dos finais dos anos 1960 e inícios dos anos 1970, e à campanha para remover a homossexualidade da lista de patologias do Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM), o que foi conseguido em 1973. A definição mais usual, depois da década de 1970, é a da bissexualidade como “combinação ou unificação de heterossexualidade e homossexualidade”, a qual aponta para um sujeito que tem desejos tanto heteroafetivos como homoafetivos.

Em uma sociedade heteronormativa, o sujeito que se identifica com a bissexualidade pode ser vítima de uma violência, a bifobia, uma vez que a sociedade não legitima, como algo normal, não patológico, esse duplo desejo.

Referências Bibliográficas

Bifobia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bifobia. Acesso em: 03 dez. 2014.

LEWIS, E.S. Não é uma fase: construções identitárias em narrativas de ativistas LGBT que se identificam como bissexuais. Dissertação de mestrado. PUC Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro, 267f, 2012.