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Temos o prazer de apresentar os artigos, as artes e a resenha que integram o número final de 2018 da revista Rua. Na seção Estudos, abrimos a leitura com Fotografia e viagem: reflexões sobre experiência, linguagem e memória de Daniela Palma, no qual a autora nos apresenta uma delicada e potente reflexão sobre o movimento de deslocar-se, como viajante, e o flagrante da fotografia nessa experiência heterogênea, instalando narrativas igualmente múltiplas. Flagrando um recorte na cidade, Wagner Ernesto Jonas Franco move nosso olhar para os sentidos da presença de casas de prostituição na cidade, observando especificamente, em seu artigo As casas de prostituição como espaços de significação na cidade, os nomes dessas casas como enunciados que materializam uma relação de dominação do homem sobre a mulher. Ainda observando a relação entre gêneros, temos Entre o boi e o neon: identidades e identificações de gênero, de Rodrigo Souza Fontanini de Carvalho e Ricardo Gaiotto de Moraes, que focaliza relações culturais e de gênero na configuração dos processos e subjetivação e de identificação. Buscando compreender esses mesmos processos de identificação e subjetivação no que toca a sujeitos indígenas, Icléia Caires Moreira, Vânia Maria Lescano Guerra trazem, no artigo Um olhar discursivo sobre o processo de subjetivação do indígena em dispositivo didático, a sobreposição de uma posição sujeito branco na construção desses processos, quando observam o funcionamento de um instrumento didático. Refletindo sobre práticas pedagógicas e o espaço urbano, o artigo A praça é nossa! Narrativas cotidianas e pedagogias culturais, de Amanda M. P. Leite, nos mostra a importância das Pedagogias Culturais a partir de aulas realizadas na Praça dos Girassóis, na cidade Palmas em Tocantins, em que os monumentos presentes são mobilizados em uma relação entre memória e história. Olhando para o espaço urbano de forma diacrônica, Márcia Maria Couto Mello, Luan Britto Azevedo, Lays Britto Azevedo nos apresentam, em A imagem da Barra, em Salvador, entre os séculos XVI e XXI, uma análise das imagens do espaço em sua movência interferida por gestos organizados e não organizados que afetam sua configuração. Mirando agora a condição humana na cidade, metaforizada na textualidade estética literária, Ismael Sebben, Douglas Ceccagno apresenta, em seu O gaúcho como herói da decadência em Os ratos, de Dyonélio Machado, a deriva do mito do gaúcho herói em um herói da decadência. Também no espaço da literatura, Lucas Fazzini mobiliza a “biopolítica”, de Michel Foucault e o “poder soberano”, de Giorgio Agamben, para analisar os múltiplos mecanismos violentos do poder nas periferias urbanas brasileiras em seu Territórios de exceção: poder, espaço urbano, literatura. Ainda no espaço da escrita, deslocando o olhar para a crônica jornalística, Carla Roselma Athayde Moraes analisa o cotidiano das pessoas nas cidades em seu Vivências de si no interior do cotidiano: o caso de uma crônica jornalística brasileira. Mantendo-se no espaço da arte, mirando agora sua relação com os museus, seus transeuntes e críticos, temos A estética da intolerância: extremismo político e arte no Brasil atual em que Argus Romero Abreu de Morais debate a relação entre arte e política na reação à Mostra Queermuseu. Ainda no campo dos museus, nos encontramos com Versões controversas na leitura de arquivos: o Museu Penitenciário Paulista de Débora Massmann em que a autora analisa o processo de produção de sentidos na relação do Museu Penitenciário Paulista (MPP) com o espaço urbano em que ele está inserido. Finalmente, e ainda com um olhar em Museus, Maria Cleci Venturini, Suhaila Mehannan Schon trazem, no artigo Documentário, língua e o museu no/pelo olhar discursivo, uma análise sobre a relação entre história e memória em relação ao museu e a língua no/do museu e da vida. Na seção Artes temos Tanzânia: um país em dois tons, e o leitor pode verificar, na seção Notícias e Resenhas, notícias sobre programas e ações do Laboratório de Estudos Urbanos no período de julho a novembro de 2018 e a resenha Do rural ao urbano: uma compilação de Lefebvre acerca da relação campo/cidade, escrita por Raphael Henrique Ferreira Potratz.

BOA LEITURA!