Pesquisadora do Labeurb, Eni Orlandi recebe título de professora emérita da Unicamp

 

Aconteceu na última quarta-feira (15), a cerimônia de outorga do título de professora emérita da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) à professora Eni Orlandi. É a primeira mulher a receber o título pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), local onde ocorreu a entrega do diploma. Estiveram presentes autoridades da Unicamp, colegas de trabalho e professores de outras instituições, mas que tiveram sua trajetória marcada pelo trabalho da pesquisadora.

Orlandi é formada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara, com mestrado e doutorado em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP), onde atuou entre 1967 e 1979. Na Unicamp, foi professora titular do IEL e uma das fundadoras do Laboratório de Estudos Urbanos, em 1992, junto com Eduardo Guimarães e Carlos Vogt, ambos presentes na cerimônia.

O  coordenador-geral da Universidade, Fernando Coelho, enfatizou em seu discurso que a trajetória acadêmica de Orlandi representa tudo aquilo que se espera de um professor emérito. “Espera-se que tenha criado uma escola”, diz Coelho. “E é muito claro que toda a Teoria do Discurso que foi introduzida no Brasil e que hoje na verdade está presente em muitas universidades do país, começou com a professora”.

 

Análise do Discurso

A Análise do Discurso (AD) foi inicialmente desenvolvida por Michel Pêcheux, na França, onde Orlandi fez uma parte do seu doutorado. A pesquisadora então trouxe a disciplina para o Brasil. Ao mencionar esse momento de sua trajetória, Lauro Baldini, padrinho da homenageada, ressalta que “trata-se de um pensamento vivo que nunca se deixou apreender pela cristalização. Passa o que me parece mais crucial que sua trajetória. Ter ousado pensar por si mesma e ter ousado se revoltar.”

“A presença da análise de discurso nas ciências da linguagem não se limita a uma nova abordagem teórica, mas implica uma transformação epistemológica mais ampla”, defende Orlandi. Como uma disciplina de entremeio, a AD articula a linguística, o materialismo histórico e psicanálise lacaniana. “A inserção teórica da análise do discurso na ciência da linguagem, constitui um dos movimentos mais decisivos do deslocamento do foco exclusivamente formal da língua para uma compreensão histórica e ideológica dos processos de significação”, continua a pesquisadora.

Orlandi foi uma das responsáveis pela criação do grupo de trabalho em Análise do Discurso da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL), em 1986. Dentro do tema, a falha, a falta, o silêncio e o equívoco passaram a ter um lugar fundamental em sua compreensão da linguagem. Escreveu, por exemplo, o livro “As Formas do Silêncio”, vencedor do prêmio Jabuti em 1993 e traduzido para o francês, italiano e espanhol.


Atuação acadêmica

Orlandi teve uma extensa carreira científica, escreveu 14 livros, 94 capítulos de livro e 133 artigos em periódicos científicos. Além disso, participou da organização de 28 obras. Orientou 51 dissertações de mestrado, 49 teses de doutorado e supervisionou 8 pós-doutorados.

Para o reitor Paulo Cesar Montagner, o título de professora emérita é uma das maiores distinções acadêmicas. "Mais do que um reconhecimento formal, consagra uma vida inteira dedicada à universidade". Segundo ele, é uma condecoração só alcançada por aqueles que ultrapassam os limites da função docente e que passa a ser reconhecida pelos pares como alguém que representa os valores mais nobres da universidade pública. “Professores eméritos tornam-se "memórias vivas da universidade", finaliza o reitor.

 

por Mayra Trinca