Revista Rua


O que quer, o que pode um discurso? O que quer, o que pode esta foto?
What a discourse want, what it can do? What this photography want, what it can do?

Viviane Teresinha Biacchi Brust e Verli Petri

também as condições de produção do discurso em distintos momentos. Assim, consideramos de igual relevância os dois discursos aqui colocados em paralelo. Daquele, nos diz Davallon, “saber” e “acontecimento”; desse, ecoamos nós: memória e história, que é local, mas constitutiva de algo muito maior.
O referido autor aponta, também, para o fato de que vai tomar a imagem sob um prisma particular: não pelo que ela pode representar, nem pela informação que pode oferecer, tampouco como objeto concreto de produção cultural, a levar em consideração sua eficácia simbólica. É sob uma outra abordagem, a de que “aquele que observa uma imagem desenvolve uma produção de significação; esta não lhe é transmitida ou entregue pronta” (Ibid., p. 28). Ao mesmo tempo em que isso se abre para uma liberdade de interpretação, atenta Davallon para a questão de que uma imagem também comporta um programa de leitura, assinalando um lugar ao espectador, como se houvesse um limite para as leituras. Para nós, inicialmente, isso poderia remeter a uma restrição à possibilidade de múltiplas ou de várias interpretações; porém, a apreensão de outro sentido levou-nos um pouco mais adiante: esse programa de leitura, de que trata o autor anteriormente citado, permite-nos compreender que, do lugar do espectador, junto à possibilidade de interpretações, não pode haver qualquer interpretação ou uma interpretação qualquer, pois a produção de sentidos está intimamente ligada à tomada de posição do sujeito.
Orlandi (2012), a respeito das colocações de Davallon, lança duas questões: a primeira, que não trataria imagem como operadora de memória social, mas como parte do funcionamento da memória discursiva com relação ao acontecimento; a segunda, quando questiona se a imagem se mostraria como ela se lê. Para a analista, “assim como qualquer materialidade significante, também a imagem não é transparente. É materialidade. Tem seu modo de funcionamento. Interpreta-se” (Ibid., p. 63). Diante da reflexão dos dois autores, um tanto diferenciadas entre si, propomos assumir uma posição de entremeio, já que ambas funcionam no interior do corpus que analisamos. É o movimento de realização das análises que coloca em funcionamento diferentes noções e para tratarmos disso retomamos as reflexões construídas a partir da metáfora do movimento pendular relacionada à análise discursiva, proposta por Petri [no prelo]:

Instalado o gesto de ler do analista no interior da discursividade que lhe interessa analisar, temos o pêndulo no ponto zero e daí começa o movimento. Por um instante, então, o analista suspende o pêndulo e imediatamente depois começa a acompanha-lo nas idas e vindas da teoria para a análise,