Revista Rua


Imagem e Ilegibilidade da Forma Urbana de Campinas
Image and illegibility of urban form of Campinas

Luiz Tiago de Paula* e Eduardo Marandola Jr.**

encarece de estudos acadêmicos que reenfrente o desafio de compreender a tríade entre forma, paisagem e imagem da cidade (LYNCH, 2007; RELPH, 1986). A construção da morfologia da paisagem é a expressão material da vida na urbe, correspondendo em diferentes graus os anseios e desejos de sua população. Nem todos os grupos sociais são representados, no entanto, ainda assim torna-se importante mirar esses três elementos e buscar suas confluências e divergências.
Descrever e detalhar a forma urbana torna-se, portanto, uma tentativa de analisar e criar interpretações de como a paisagem da cidade produziu e produz discursos simbólicos sobre si mesma. As primeiras investigações deste cunho foram feitas por Kevin Lynch no final dos anos 1950, quando ele propôs a imagem da cidade como um atributo que possui estrutura (organização espacial), identidade (particularidade ou aquilo que a difere) e significado (um sentido que é dado para). Essa metodologia tem sido aplicada para auxiliar planejamentos urbanos em vários países ao longo dos últimos 60 anos, desde a publicação do original The image of the city (LYNCH, 2003). O propósito das questões levantadas por ele foi estabelecer passos metodológicos de investigação da percepção do espaço urbano pelos cidadãos que o vivem, motivo pelo qual foi continuamente sendo popular entre arquitetos, urbanistas e geógrafos (DEL RIO; OLIVEIRA, 1996).
Tais procedimentos foram incorporados a teorias subjacentes que apoiaram e deram maior credibilidade às preocupações sobre a imagem da cidade (SOUZA, 1996). A paisagem passou a ser, então, compreendida amplamente em seus sentidos estéticos e funcionais, reafirmando a importância da forma urbana como um entre vários elementos que travam relação com a qualidade de vida nas cidades.
No contexto das cidades contemporâneas, especialmente no caso brasileiro, a dispersão do tecido urbano tem produzido paisagens fragmentadas e desconexas, tendo como resultado morfologias confusas que dificultam aos seus cidadãos estabelecer relações geográficas entre diferentes partes do ambiente urbano. É neste âmbito que a proposta lynchiana pode nos ajudar com os conceitos de imaginabilidade e legibilidade. A primeira se refere à qualidade e capacidade de determinada paisagem, através de suas características de forma, cor, densidade e disposição, criar possibilidades de evocar uma imagem forte num dado observador; enquanto a segunda diz respeito à coerência da paisagem, podendo se valer de qualidades (referências espaciais) que facilitem a compreensão da mesma (BANERJEE; SOUTHWORTH, 1991; LYNCH, 2003).